21 de jul de 2016

O Cemitério Maldito de Stephen King [ Cinema, Romance ]




Sometimes dead is better.

A morte é um mistério; o sepultamento, segredo.

Vi Cemitério Maldito (1989) pela primeira vez quando era criança. Gostava de filmes de terror. Era meu gênero preferido. Depois, assisti à continuação e também gostei. Hoje, percebo como são produções fracas. Mesmo assim, o primeiro filme guarda certo valor estético e até mesmo detém elementos que agradam ao novo público. Contudo, após você ler o livro, percebe como a adaptação é pobre. E isso porque o roteiro também foi escrito pelo Rei do Maine. Não tenho aquelas firulas acerca da necessidade de adaptações fiéis à obra escrita. Destaquei isso, por exemplo, numa postagem antiga (confira). Penso que são plataformas distintas e, muitas vezes, querer ser fiel à obra primeva pode ser má escolha do cineasta. E aí, creio, está o erro de King: manter o roteiro similar ao livro, mas enxugando bastante a narrativa, o que tornou a produção meio insossa. Se optasse por caminho oposto (pegada mais afim com aspectos notadamente cinematográficos, respeitando limitações e características próprias da tela), talvez tivesse escrito filme melhor.

Ao enxugar todos os elementos introspectivos essenciais à narrativa e manter apenas ações nas telas, Stephen King nos deu uma trama que, creio, poderia ser superior. Mas isso parece lhe fazer o estilo, acredito. Pelo que percebi em diversas entrevistas com o autor, para ele, mexer demais na obra escrita não é bem vindo. Para que Pet Sematary fosse rodado, por exemplo, o escritor exigiu o cumprimento à risca de seu roteiro e que as filmagens se dessem no Maine. Além disso, por diversas vezes, criticou Stanley Kubrick por O Iluminado, enquanto acha que a adaptação subsequente, feita para a TV, foi melhor. Discordo do autor quanto a isso; e considero a obra de Kubrick a melhor adaptação de uma obra de King. Aliás, Stanley Kubrick foi o único a ter peito para transpor a atmosfera densa dos livros de King para o cinema. Quase tudo o que já se adaptou por aí ficou meio-boca. Convenhamos, claro, que muita coisa da obra original é difícil de se digerir no cinema, ainda mais porque estúdios buscam sempre reduzir a classificação etária para atrair público mais abrangente. Hoje, penso, isso é bobagem. Afinal, baixam-se toneladas de informação de graça pela internet e cinema tornou-se um passatempo não mais tão empolgante (e relevante) quanto antes. Imagine, por exemplo, Cemitério Maldito com a fala abaixo incluída no roteiro:
Norma morreu e não vai haver ninguém para chorar por você – disse Gage. Que rameira ela era, hein? Fodeu com todos os seus amigos, Jud. Dava o cu para eles. Era o que ela gostava mais… agora está queimando no inferno, com artrite e tudo. Eu a vi lá, rapaz. Eu a vi.
A trama gira em torno do médico Louis Creed que, com esposa (Rachel) e dois filhos (Ellie e Gage), mudam-se para a pequena Ludlow, cidadezinha próxima a Castle Rock, integrante da geografia fictícia do Maine. Ali, ele trava amizade com o casal de idosos Jud e Norma Crandall. Jud repassa ao novo amigo informações acerca do local, desde sobre a trilha para o pequeno cemitério de animais próximo até o perigo representado pela movimentada rodovia 15 que corta o local, onde muitos bichos domésticos são atropelados. No primeiro dia de trabalho, Louis enfrenta uma estranha experiência com o estudante Victor Pascow, falecido tragicamente e que lhe diz coisas estranhas sobre o cemitério de bichos e o “outro” cemitério. Quando Church – o gato de Ellie – é atropelado e morto, Jud (por motivos íntimos discutidos bastante na obra escrita) faz Louis enterrá-lo no “outro cemitério”, além do de animais. Trata-se, talvez, de solo amaldiçoado na cultura dos micmac, onde o que é ruim ali habita. Pouco tempo depois, Church retorna à vida, de maneira estranha; é como se, do gato, voltasse apenas o corpo, mas preenchido com algo mais. Depois, Gage também e morto da mesma forma, e, inevitavelmente, Louis o enterra no solo maldito. E este não é final de uma série de tragédias sobre a família Creed. Mais ainda virá!

No cinema, pareceu desconexo a forma como tudo se desenrola. Revi o filme para ter essa certeza. No romance, notamos que, além dos aspectos notadamente humanos diante da perda de entes queridos, todo poder do local leva a uma série quase metodicamente planejada de eventos. O gato estava castrado e molenga antes de falecer, de maneira que seria improvável ter saído para longe e ser atropelado. Esse vórtice negativo nos recorda o hotel Overlook de O Iluminado e a Casa Marsten em A Hora do Vampiro. No cinema, também se perdeu a característica da pequena Ellie em manter contato com algum resquício do estudante Pascow e seus dons premonitórios que remetem bastante às crianças iluminadas de O Iluminado e sua sequência Doutor Sono.

Sempre há música abundante nos livros de Stephen King. Praticamente em todos os romances nós encontramos aquele momento musical, letras transcritas ou apenas pequenas menções. Em Pet Sematary o destaque fica para Ramones, desde citações internas a verso como epígrafe a capítulo. Além disso, num determinado momento, Louis Creed utiliza o pseudônimo de Dee Dee Ramone ao registrar-se no hotel com acesso fácil ao cemitério onde está o cadáver de Gage. No cinema, o caminhão que atropela Gage toca Ramones a toda altura. E em 1989, após um contato com King, os Ramones gravaram a canção... Pet Sematary.

Uma curiosidade: além de assinar o roteiro, King atua na produção como o sacerdote à frente do enterro de Missy Dandridge. Como sempre, em uma péssima atuação. Ver King na tela não é legal. Mas, claro, nada se compara à sua "atuação" em Creepshow (1982). Sobre a senhorita Dandridge do filme, destaco que, no romance, ela não é a encalhada frustrada ali retratada, sequer chega a falecer na trama original. Trata-se apenas de uma vizinha generosa e prestativa dos Creed. Além disso, serviu, de certa maneira, para substituir a esposa de Jud, Norma, para o momento do funeral. Para a adaptação, suprimiram Norma do enredo, como se Jud fosse um solteirão ou viúvo de longa data.

O ponto mais positivo da adaptação, acho, foi a caracterização medonha de Zelda, irmã doente de Rachel que lhe atormentou a infância com seu azedume, enquanto definhava por meningite raquidiana. Como não conseguiram uma atriz magra e esquista o suficiente, optaram pelo ator Andrew Hubatsek. A caracterização ficou foda, como podemos ver em trechos do vídeo acima.

O protagonista Louis Creed destoa no universo ficcional de King. Em regra, pais representados em suas obras não são flores que se cheirem. Talvez isso se deva ao fato do próprio autor, ainda criança, ter sido abandonado por seu genitor e sua mãe ter ralado pra burro, sozinha, para sustentá-lo. A figura materna em Stephen King, quase sempre, é forte e generosa; a paterna, o inverso. Pais violentos estão presentes em narrativas como It, por exemplo, com o pai rabugento de Beverly Marsh e em alguns contos. Em O Iluminado, Jack Torrance tenta estraçalhar a cabeça de seu filho Daniel com o taco de roque; a proteção fica a cargo da mãe Wendy. Até mesmo em obras mais recentes esse aspecto é notório, como em Sob A Redoma, quando Big Jim planeja a morte de seu único filho no hospital, temendo que ele se torne um estorvo maior. Em aspecto mais amplo, destaco ainda Dança da Morte, com o bem personificado em Mãe Abigail e a essência do mal encarnada no pai do agrupamento adversário: Randal Flagg.

O título do livro chama atenção. "Sematary" está errado porque é a reprodução do que crianças escreveram na placa na entrada do local, ao invés de cemetery. No livro, brincaram com a tradução optando por "simitério". Isso é emblemático na trama: o "simitério" é bem cuidado por gerações de crianças da região, que tentam controlar o mato, mantendo a trilha razoavelmente limpa, bem como os mini túmulos. As cruzes e lápides são feitas com tudo quanto é material de refugo: latas velhas cortadas a alicate, pedaços de tábuas e de pedras como ardósia. Estranhamente, as sepulturas seguem o sistema concêntrico, similar ao em espiral dos micmacs. Essa procissão de crianças unidas em torno de algo sombrio (como a morte às vezes nos parece) me trouxe à mente o conto As Crianças do Milharal.

A edição que li foi da Suma de Letras (selo "vergonha" da Objetiva, onde se incluem obras de baixo valor literário, destinadas a mero entretenimento). O volume é padrão: brochura com orelhas, papel pólen soft - aquele amarelinho que não cansa a visão durante a leitura -, formato 16 x 23 cm, 424 páginas e tradução de Mário Molina.

Em diversas postagens, sempre critiquei a falta de tato da Suma de Letras para lidar com o público fiel de alguns autores. Quando resenhava obras nacionais, postava imagens de edições especiais gringas, com capa dura, sobre capa, papel especial e até mesmo ilustrações. Insisti que, mesmo em tiragens limitadas, os leitores de King dariam chances a essas edições. Afinal, além de leitores, também somos colecionadores, de certa forma. E, com o avanço da leitura digital, os livros poderiam ser mais valorizados enquanto objetos táteis. E não é que a Objetiva abriu os olhos para isso? Oxalá! Antes tarde que nunca, como dizia vovó. Para o segundo semestre estão programados Cujo e A Incendiária com novo projeto editorial, conteúdo extra e capa dura. Acredito que as publicações da DarkSide Books influenciaram nisso de alguma forma. Aguardemos!
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8 de jul de 2016

O aprendiz, Conta comigo e Um sonho de liberdade [ do livro às telas ]

Capas das edições nacionais mais conhecidas.
Há muito tempo, meu irmão comentou, ao ver anúncio de filme na TV: "Esse Stephen King só escreve bobagem de monstros etc.". Foi mais ou menos isso que ele disse. Como ele nunca leu nada de King, não poderia fazer essa avaliação por meras adaptações cinematográficas. À época, eu também não lia nada dele, mas sabia que não há como julgar um escritor por adaptações roliudianas. Por exemplo: IT e Sob a redoma são romances estupendos; entretanto, suas adaptações para cinema e televisão, respectivamente, realizações dispensáveis - no mínimo. Na hora, ainda o lembrei da existência de filmes que o agradaram baseados em livros de Steve: Um Sonhos de Liberdade (1994) e Conta Comigo (1986) - os dois que vieram rapidamente à mente). No momento me fugiu outro filme que gosto bastante e sem nenhum toque de sobrenatural: O Aprendiz (1998).

As três produções acima mencionadas surgiram da adaptação de contos da antologia Quatro Estações: Primavera Eterna - Rita Hayworth e a Redenção de ShawshankOutono da Inocência – O Corpo e Verão da Corrupção - O Aluno Inteligente. Já Inverno no Clube – O Método Respiratório é um conto que comentarei noutra postagem. Aqui, pretendi apenas abordar narrativas adaptadas ao cinema.

Aqui, faço apenas breves apontamentos, destacando pontos que me chamaram a atenção. Não há como traçar paralelos entre obras escrita e cinematográfica sem soltar revelações do enredo. Assim, se você sequer assistiu aos filmes e tem spoilerfobia, não prossiga nesta leitura. Vamos lá?


Primavera Eterna - Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank. O banqueiro Andy Dufresne é condenado à prisão perpétua pelo assassinato de sua esposa e de seu amante, famoso jogador de tênis. Na temida prisão de Shawshank, no Maine, ele torna-se amigo de "Red", homicida irlandês conhecido por facilitar o acesso a bens de consumo de fora do xilindró. Aos poucos, Dufresne vira peça importante junto ao último Diretor que comandou o presídio durante sua estada: Samuel Norton, ao auxiliá-lo no sistema de lavagem de dinheiro obtido por meio de propinas em obras e serviços prestados à população por Shawshank. A fuga espetacular é apenas um detalhe dentro da narrativa agradável de King.

Na mitologia do Oscar, afirmam que Um Sonho de Liberdade foi a produção mais injustiçada da história, pois mereceria boa parte dos prêmios das sete indicações a que concorreu. Entretanto, notem bem: também era o ano de Forrest Gump, Quatro Casamentos e Um Funeral e Pulp Fiction. Páreo duríssimo!

Penso que Redenção em Shawshank é um manual de como tentar ser feliz. Veja bem: você tem a liberdade de ir e vir ou de não ir a lugar algum se assim quiser. Você tem a opção de vadiar ou produzir. Nunca foi trancafiado por duas décadas numa prisão imunda com trabalhos forçados mesmo sendo inocente - e isso após todo mundo saber que você era corno. Além disso, não tem que ficar se preocupando todos os dias com quem vai enrabá-lo à força. E ainda reclama da vida? Andy Dufresne suportou tudo isso por anos e mesmo assim manteve a cabeça erguida: "Lembre-se de que a esperança é uma coisa boa, Red, talvez a melhor coisa, e as coisas boas nunca morrem.", escreve ao amigo.

Diferentemente do cinema, no romance, Red é irlandês; daí, sua alcunha. Além disso, a penitenciária passa pelas mãos de vários diretores. O hipócrita Norton é apenas um. No conto, o protagonista não foge com a grana dos investimentos escusos de Norton. Durante anos, ele teve ajuda de um amigo fora das grades que cuidou de seus próprios investimentos e fez a grana de Andy render. O Diretor, aliás, tem até um final bonzinho, apenas sendo afastado da gestão após uns quatro meses da fuga. Não conseguimos sentir muita simpatia por Red quando descobrimos que ele matou a esposa por grana do seguro, causando também a morte de uma vizinha e de seu bebê no acidente planejado de carro. E, por fim, não sabemos se Red encontrará seu amigo. A história conclui com ele furando a condicional para ir ao México, com este belíssimo derradeiro parágrafo: "Espero que o Pacífico seja tão azul quanto em meus sonhos".


Verão da Corrupção - O Aluno Inteligente não se passa no Maine, mas no sul do Estado da Califórnia, na fictícia Santo Donato. Também é fictício o campo de concentração nazista de Patin. O mote é simples: estudante americano exemplar, de classe média alta, descobre que morador da região é criminoso de guerra foragido, sob nome falso. Sádico, passa a chantagear o velho nazista, prometendo não lhe revelar a identidade em trocar de histórias acerca do Holocausto. Para amarrar a trama, o ex oficial nazista Kurt Dussander diz que sua renda atual vem de dividendos de ações compradas pela consultoria de Andy Dufresne. O fato deste ter assassinado a esposa também é mencionado. Durante a narrativa deste conto, Dufresne ainda está encarcerado na "Primavera Eterna".

Como é natural, pegaram leve na adaptação. Geralmente, os estúdios optam por isso para atrair mais público, em razão da ausência de restrição por faixa etária, ou de sua redução. Hoje, com filmes baixados sem controle pela internet, é uma tremenda babaquice fazer isso. Mesmo assim, em alguns casos, insistem neste vício comercial onde o tiro sai pela culatra.

Acho que todos os eventos narrados por Dussander acerca do holocausto são dignos de atenção, prendendo o leitor. Os momentos que mais me despertaram interesse foram quanto à burocracia do genocídio. Essencialmente, todo oficial do Reich era um burocrata. Assim, Dussander se orgulha de sua economia com uniformes de prisioneiros, feitos em papel. Em sua gestão, cada vestimenta foi reaproveitada por até quarenta confinados. Já as mortes precisavam ser rápidas e a baixo custo. À época, o Führer considerou cartucho recurso nacional essencialíssimo. Isso é natural em nações à beira de conflitos ou já em guerra. Às vezes, por exemplo, o gás Zyklon-B era substituído por outro experimental. O resultado, várias vezes, pedia a intervenção armada, com desperdício de munição.
Meus homens chamavam o Pégaso de gás de falsete. Finalmente caíam e ficavam lá no chão, deitados na própria imundície, ficavam lá, sim, deitados no concreto, gritando em falsete com narizes sangrando. (…) Finalmente, mandava cinco homens com rifles porem fim à agonia.
Os métodos utilizados por judeus endinheirados para guardar bens e bobagens como tabaco (algo raro à época onde só se cultivava mais o básico à sobrevivência) também são interessantes.
Uma mulher (…) tinha um diamante (…). Engoliu-o antes de entrar em Patin. Quando saía nas fezes ela o engolia de novo. Continuou fazendo isso até que o diamante começou a cortá-la e ela começou a ter hemorragias.
A natureza desumana (ou excessivamente humana?) de Todd começa a despontar quando seus primeiros sonhos eróticos envolvem estupros e experimentos sexuais diversos em campos de concentração, assim como no seu primeiro namoro com uma garota judia de uma família amiga; para Todd, uma vadia que merece nada mais do que a degradação em quaisquer formas possíveis. Em pouco tempo, Todd está transformando um pássaro ferido em pasta sob as rodas de sua bicicleta, indo e vindo sobre o pequeno cadáver. Mais à frente, começa a assassinar mendigos com facas de caça e a marteladas. Seu grande sonho, contudo, é, bem acomodado com vista à via expressa, munido com rifle ganho de seu pai, atirar no máximo de motoristas que vê na rodagem.

Denker/Dussander também começa a se divertir matando mendigos em sua cozinha. Tudo começou com pequenos animais, como cães e gatos. Inevitavelmente, chegou aos bêbados das ruas que fariam qualquer coisa por cinco ou dez dólares, inclusive transar com um “próspero veado velho com queda pela mendicância”. Pensando que vão à casa do nazista para comer e beber em trocar de meter no velhote, sempre acabavam com a faca de cozinha estocada entre a nuca e o pescoço. O porão transforma-se em cemitério e, de certa forma, é essa sanha por matança que complica a vida do nazista e seu pupilo. Dussander mata-se com overdose medicamentosa antes de levado a julgamento e execução em Tel Aviv. No cinema, foi sufocando-se após engolir instrumento ambulatorial. Todd enlouquece definitivamente, matando seu ex-conselheiro escolar e saindo para o que der e vier, com seu rifle em punhos, em direção à via expressa mencionada, após ver-se sem saída diante da aproximação das investigações policiais.

No livro também encontramos a célebre cena da marcha, disponibilizada no vídeo mais acima.


Em Outono da Inocência – O Corpo, quatro amigos viajam sozinhos pela mata para ver o cadáver de um garoto, atropelado pelo trem. Deste mote simples, temos a bela história de amizade imortalizada no Brasil pela Sessão da Tarde na Globo. A adaptação para o cinema fez bastante sucesso aqui, tornando-se clássico da Sessão da Tarde. Nós, crianças do início da década de '80, crescemos encharcando os miolos com o refugo pop norte americano quando já éramos crianças bem adiantadas na década seguinte. E, quer saber? Foi bom.

Enquanto O Corpo se passa na geografia fictícia do Maine, Conta Comigo manteve o nome da cidade Castle Rock, mas no Estado onde ela realmente existe: Oregon. Além disso, Chris Chambers ainda estava na faculdade quando foi morto com uma facada no pescoço. Gordon Lachance nos diz que seus dois outros amigos também morreram tragicamente. Teddy Duchamp, quando capotou o carro e Vern Tessio em meio a um incêndio, onde só foi reconhecido pela arcada dentária. O gordinho chamada de Bola de Sebo presente na história dentro da história (artifício bastante utilizado pelo autor), chama-se David "Lard-Ass" Hogan - num português claro: Rabo Grande. Além da história de Rabo Grande, também há outra meio sem graça, um drama familiar escrito pelo então jovem escritor Gordie quando estudava redação criativa.

Na prosa, a vida profissional de Gordie tem maior destaque. Fica claro que ele se tornou autor de best sellers odiado pela crítica erudita. Logo, alguém bem similar à figura do próprio King. Num determinado momento, o maduro Gordon nos diz que isso não importa, já que ele quer apenas escrever boas histórias para entreter. Isso me recordou Bill Denbrough em IT: A Coisa, onde o personagem também discorre algumas vezes acerca da escrita e seu alcance, discutindo se a literatura não poderia se destinar, apenas, ao mero entretenimento.

Há dois elementos sutis de ligação entre O CorpoRedenção em Shawshank: citações a Bruce Springsteen e, outrossim, o fato do assassino de Chambers ser ex-presidiário de Shawshank, solto há poucos dias antes do acontecido.

Eu poderia escrever mais sobre esses três contos e suas versões para os cinemas. Mas acho que está bom parar por aqui. Ficam as sugestões aos colegas: leiam o livro, assistam aos filmes. Há uns quatro anos falam que O Método Respiratório também será levado às telas. Não estou por dentro de como andou isso. Certo de King, pelo que sei, é a nova filmagem sobre o romance IT.

Por enquanto é isso. Abraços assombrados e até a próxima.

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